Retro-Retratos, primeiro livro de Celina Portocarrero, publicado pela Editora 7Letras, foi lançado em agosto de 2007,

no Bar Desacato, Leblon, Rio de Janeiro, numa festa em que foram vendidos 110 exemplares, das 19 às 23 horas.

 

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Registro de um sonho realizado

O dia 14 de agosto de 2007 ficará como uma das datas das quais não será preciso esforço para lembrar. Um daqueles números que a gente transforma em senha. Impossível não cair no lugar comum ao tentar descrever a noite do lançamento de Retro-Retratos, meu primeiro livro, porque só me ocorrem expressões como experiência fantástica, expectativas superadas e momentos maravilhosos.

 Muito bom me sentir querida e constatar que ao longo da vida cultivei tantos e tão bons amigos cujos vultos eu às vezes distinguia na fila que se ia formando além do mar de carinho que me embaçava as lentes de contato. E as imensas ondas desse mar me embalaram por mais de três horas, chegando suaves à mesa onde eu, sem saber muito bem quem era quem e sem conseguir ler o que escrevia, tentava o que imagino se espera dos poetas: transformar emoções em palavras.

Havia lá todo tipo de gente de alguma forma importante, mosaicos da vida afetiva e profissional, conhecimentos recentes, relações de alguns ou muitos anos e da infância. Destaque para um colega do curso primário no Externato Cristo Redentor, na Urca, que foi até lá conferir se aquela Celina era a mesma... A babá que me ajudou a criar duas filhas em tempos difíceis e que, de ônibus, veio de Caxias "ver de perto esse sonho realizado".  A mais antiga amiga, vizinha de prédio na Praia Vermelha onde nascemos ambas. Médicas que cuidam da minha saúde. Vendedoras da loja em que compro roupas. Um amigo virtual, cronista dos bons, que criou rosto. Meu ex-genro, filho para sempre. Mulheres e homens muito especiais cujo exemplo me salvou a vida e me faz persistir. Minha antiga secretária, distante há duas décadas, que mora em Nova Iguaçu mas foi ao Leblon porque "não perderia isto de jeito nenhum". Meu cabeleireiro. Ex-vizinhos. Uma afilhada querida. As amigas do peito que se empenharam para que tudo desse certo. Dois meninos, 8 e 12 anos, que, com nomes invertidos, se conheciam da capoeira e no Bar Desacato se encontraram e sentaram para ler poesia. Gente que eu não via há mais de trinta anos e gente com quem cruzei naquela manhã. E muitos outros entremeados a poetas e escritores iniciantes e consagrados, jornalistas, cineastas, incentivadores, amigas, amigos, filhos de amigos, mulheres de amigos, maridos de amigas, amigos dos amigos, amigos dos filhos, pais dos amigos dos filhos... Tudo ao som do sorriso do casal de filhos assumidamente orgulhosos e do suspiro presente-ausente da filha do outro lado do Atlântico.

Estou ainda incapaz de citar nomes, desembaralhar rostos. Será revelada a identidade de cada um graças às lentes do Chico Lima que, à sua experiência mais de uma vez premiada somou a paciência de registrar um a um todos os que me abraçavam.

Sem falar nos que não ficaram por ter outros compromissos, ou não ter coragem ou saúde para enfrentar a fila, e nos que não foram mas demonstraram seu afeto em telefonemas, telegramas e emails. Um velho amigo jornalista, sem carro e impossibilitado de sair à noite por morar num bairro de difícil acesso, deslocou-se até Copacabana à tarde, especialmente para tomar um café comigo e comprar um livro. O primeiro dos 112 vendidos no dia 14 de agosto.

Fiquei devendo algumas dedicatórias, para aqueles tão próximos e tão envolvidos na concretização desse projeto, para quem (de novo o lugar comum!) realmente não encontrei palavras...

Só posso agora deixar neste registro a única palavra capaz de ser fiel ao sentimento que me ficou: Obrigada. A cada um de tantos.

O inesperado do lançamento surgiu quando um desconhecido se aproximou da mesa e, diante da minha expressão certamente ansiosa por identificá-lo, explicou: "Você não me conhece, eu estava passando pela rua, vi o movimento, fiquei curioso, entrei e pedi um livro. Folheei e achei tão bonito que resolvi dá-lo de presente a uma pessoa muito especial." E repetiu: "Ela é muito especial para mim e é para ela que peço a sua dedicatória."

O que aquele desconhecido que continuará anônimo talvez não saiba, ou talvez saiba, talvez seu gesto demonstre sua sensibilidade em perceber o que acontecia a seu/meu redor, foi que todas as dedicatórias que escrevi no dia 14 de agosto foram, sem quaisquer exceções, para pessoas muito especiais.

Celina Portocarrero, 16 ago 2007.